Eu gosto de Boldo. O gosto amargo nunca me incomodou. Os benefícios do Boldo para o organismo, principalmente estômago e fígado, são imediatos e quem me conhece sabe que odeio remédios, porque a indústria farmacêutica capEtaZista não faz nada pra curar, na verdade eles vendem alívio imediato, escravidão pro resto da vida e doenças colaterais. Acredito que a verdadeira cura está na natureza. Mas eu nunca tinha prestado atenção no meu pé de Boldo.
Hoje de manhã, quando fui até o portão com minha mãe - ela estava a caminho da Igreja, e passou mal ontem, eu estava preocupado e queria ver se realmente estava tudo bem, e sim, felizmente está - me embrenhei pela minha pequena selva particular pra olhar a flor de cana do brejo, as rosas novas e as que já estão partindo, a cambaxirra e o beija-flor que já ficaram amigos e bebem água juntos todos os dias, e me deparei com esta maravilha... pequenina flor, mas muito linda. A lembrança do gosto amargo do Boldo imediatamente desapareceu e eu fiquei ali alguns longos e intermináveis minutos, só olhando esta belezura... Esta florzinha minúscula adoçou a minha manhã e me fez perceber que as melhores coisas que acontecem com a gente tem mais ou menos esta dinâmica, ou seja, descobertas ao acaso.
São aquelas coisas que não esperamos e que nos encantam e nos surpreendem. Em questão e minutos, tudo muda e o inesperado se apresenta, e faz o olho brilhar. Estas e outras pequenas maravilhas as vezes estão tão perto de nossos olhos, que a gente se pergunta: como eu não vi isto antes? Esta é a diferença entre olhar e enxergar. Temos que abrir os olhos da alma para que a retina possa captar a essência de tudo que nos rodeia, e de fato enxergar. Apenas ver é uma sub-utilização do olhar.
A partir desta breve e silenciosa observação, eu percebi que há inúmeras outras flores a meu redor, me oferecendo seu perfume. Faltava apenas eu perceber. Que venha o novo, sempre. Obrigado, Mãe Natureza! Bom dia a todos.
(Foto com celular. Não sei se me fiz entender, mas o objetivo desta pequena prosa é registar um momento que não cabe em palavras e que vai muito além da flor.)"

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